O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afunilou nos últimos anos a relação com o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento no escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A aproximação inclui viagens internacionais, compartilhamento de imóveis e jatinhos, além de parcerias em processos judiciais.
Pouco antes de lançar sua candidatura à Presidência, Flávio viajou com familiares e amigos para a África do Sul, onde participou de um safári ao lado de Willer e do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado no caso. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (18).
Em agosto de 2026, Willer cedeu ao senador um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para uso durante a campanha. A informação foi revelada pela revista Piauí e confirmada pelo GLOBO. Adversários do senador questionaram o uso do imóvel no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o argumento de que a cessão deveria ter sido declarada como doação eleitoral. O apartamento também é ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso sob suspeita de comandar uma fraude contra o sistema financeiro.
Willer afirmou, em nota, que “jamais manteve” relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro. Ele não respondeu sobre o uso do apartamento por Flávio. O senador também não se manifestou. A PF identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas por Flávio e Willer no primeiro semestre de 2025, após analisar fotografias, reservas, registros de voos e aluguel de veículos apreendidos no escritório do advogado.
Flávio afirmou manter uma “relação de amizade” com Willer, que classificou como “legítima”, e disse que qualquer tentativa de apontar irregularidade seria “mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. O senador não informou se teve despesas pagas pelo advogado.




