O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou uma carta de renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5) em meio a uma severa crise bancária no país. Conservador eleito em 2023 para um mandato que iria até 2028, Peña é alvo de um processo de impeachment com apoio tanto da oposição quanto de aliados da base governista.
O motivo para a saída foi a colapso do banco digital Ueno instituição na qual o presidente já atuou como acionista, que fechou as portas e bloqueou o acesso aos recursos de milhares de correntistas. Embora a carta tenha sido apresentada, a renúncia ainda precisa ser aceita e formalizada pelo Congresso do Paraguai.
A crise financeira do Ueno, maior emissor de cartões de crédito do país, escalou após ajustes balanciais revelarem que seu índice de solvência despencou para menos da metade do exigido. O cenário levou o Banco Central paraguaio a adotar medidas para proteger depositantes e o Ministério Público a instaurar uma investigação criminal que resultou na prisão de oito pessoas ligadas ao banco. Diante da pressão, Peña foi acusado de conivência com a quebra da instituição, que já sofria fiscalizações sobre possíveis irregularidades financeiras.
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse em pronunciamento em vídeo. O economista e ex-ministro da Fazenda integrava a aliança conservadora “Escudo das Américas”, alinhada ao ex-presidente norte-americano Donald Trump.



