A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (17), a 10ª fase da Operação Overclean para investigar a atuação de uma organização criminosa em contratações públicas em Belo Horizonte (MG). A apuração envolve o possível direcionamento de negociações para fornecimento de serviços e materiais didáticos entre 2024 e 2025. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.
Segundo a PF, pelo menos três dos procedimentos investigados resultaram em contratos que, juntos, ultrapassam R$ 80 milhões. O valor pode ser maior, já que outras contratações também são alvo da investigação. Os fatos apurados podem configurar crimes de fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os alvos estão pessoas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do lixo”, além do ex-secretário de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral, que já havia sido alvo da operação. Barral, que também ocupou o cargo de secretário em Salvador, teria favorecido a contratação de empresas ligadas a Moura e ao empresário Alex Parente na capital mineira.
No mês passado, a PF indiciou José Marcos Moura e outras 24 pessoas, entre agentes públicos e privados, por suspeitas de desvio de recursos públicos na destinação de emendas parlamentares. A operação é relatada pelo ministro Nunes Marques, do STF, e investiga possíveis crimes de corrupção, fraude em licitações e desvio de dinheiro. Inicialmente, a apuração identificou irregularidades em uma contratação do Dnocs na Bahia. Segundo os investigadores, o grupo teria movimentado R$ 1,4 bilhão e atuado no desvio de verbas públicas de contratos de engenharia, inclusive por meio de emendas parlamentares. Marcos Moura negou irregularidades.



